6 de novembro de 2026 · Beatriz Ferreira

Ar condicionado fixo vs portátil

Ar condicionado fixo vs portátil, para quem vai passar o verão num apartamento, decide-se pelo chão de eficiência que o regulamento separa e pela existência de ata para a fachada. O Regulamento (UE) n.º 206/2012, consultado a 6 de novembro de 2026, publica mínimos diferentes: o split vive no SEER sazonal e a conduta simples, o portátil de tubo único, vive no EER nominal [1]. A Carla compara os dois para um quarto de 14 m² na Lapa. O veredito desta página, depois das contas e não antes, é este: com ata e com sítio decente para a exterior, o fixo; sem ata, o portátil como ponte, com a eficiência pior assumida, e não como equivalente.

Pontos que mudam a encomenda

  • No anexo do regulamento de ecodesign, muitos splits abaixo de 6 kW com GWP do refrigerante acima de 150 têm SEER mínimo de 4,60. A conduta simples, no mesmo texto, tem EER nominal mínimo de 2,60.
  • A classe A++ da etiqueta de split, no Regulamento (UE) n.º 626/2011, começa em SEER 6,10 [2]. O portátil de conduta não usa essa escala da mesma maneira.
  • O quarto da Carla, 14 m² a este, cai no escalão de 9 000 BTU/h no método. O portátil não herda esse escalão como se o ensaio fosse igual.
  • Sem ata, o condomínio manda parar o fixo.
  • O SCE não escolhe entre os dois [3]. As normais do IPMA também não [4].

Dois ensaios que a loja põe na mesma prateleira

O SEER integra a estação de arrefecimento. O EER nominal é um ponto. O regulamento de 2012 trata o split, excepto condutas, com SEER e SCOP, e trata a conduta simples e a conduta dupla com EER e COP nominais. Pôr os dois números lado a lado e dizer que "6 é melhor do que 2,6" é verdade como ordenação grosseira e falso como percentagem de poupança, porque o denominador do ensaio não é o mesmo. A redação usa os mínimos legais como chão, não como previsão da Lapa.

«Rácio de eficiência energética sazonal» (SEER): rácio de eficiência energética total da unidade, representativo de toda a estação de arrefecimento e calculado como o quociente entre a procura anual de arrefecimento de referência e o consumo anual de electricidade para arrefecimento.

Mínimos publicados no Regulamento (UE) n.º 206/2012 para a fase que o texto mostra, GWP do refrigerante acima de 150. Consulta de 6 de novembro de 2026.
TipoGrandezaMínimo no texto
Split abaixo de 6 kWSEER4,60
Split abaixo de 6 kWSCOP, estação média3,80
Conduta simplesEER nominal2,60
Conduta simplesCOP nominal2,04
Conduta duplaEER nominal2,60

O manual da etiqueta que a ADENE publicou já distinguia o portátil de conduta, com EER e consumo por hora, do split com SEER. Esta página não volta a citar o PDF, usado noutros guias, e fica no regulamento. O que interessa à Carla é não comprar o portátil "classe A" de uma escala antiga como se fosse o A++ de SEER 6,10. As escalas não viajam entre tipos de máquina.

A favor

  • Fixo: SEER sazonal, exterior fora do quarto, escalão alinhado com o método.
  • Fixo: uma instalação que, com ata, fica no sítio o resto dos verões.
  • Portátil: não pede furo na fachada quando a ata falta.

Contra

  • Fixo: sem ata não se instala, e o equipamento pago fica parado.
  • Portátil: EER nominal mais baixo e ar da sala expulso pelo tubo.
  • Portátil: ruído interior no quarto, não numa fachada.

O quarto da Carla, 14 m² na Lapa

A conta do método, a mesma da calculadora: base de quarto a este, 95 W/m², vezes 14 = 1 330 W. Pé-direito 2,7 / 2,5 = 1,08, logo cerca de 1 436 W. Vidro, envolvente e piso neutros. Uma pessoa não soma. BTU/h: cerca de 4 900. Escalão de catálogo do método: 7 000 BTU/h, quase a tocar em 9 000 se o arredondamento ou um vidro maior empurrarem. A redação, para não vender precisão falsa, corre o número na calculadora e fica com o escalão que ela devolver. Nesta conta de papel, 4 900 BTU/h cabe em 7 000. Um portátil anunciado como "12 000 BTU" não é o escalão do quarto. É uma máquina maior no ensaio dela, que não é o SEER do split.

Quarto pequeno com aparelho portátil no chão e tubo flexível até à janela de madeira entreaberta
Portátil com tubo à janela: o ar que sai por ali é ar do quarto, e a janela entreaberta é parte do funcionamento.

Para um split no escalão, com carga útil cerca de 1,44 kW e SEER 6,10, a 400 h de hipótese, o consumo ilustrativo é 1,44 / 6,10 vezes 400, cerca de 94 kWh. Para um EER de 2,60 aplicado à mesma carga e às mesmas horas — sabendo que o EER não é um SEER — a conta análoga dá 1,44 / 2,60 vezes 400, cerca de 222 kWh. A diferença, cerca de 128 kWh, é ilustrativa e é desonesta se for lida como "o portátil gasta o dobro medido na Lapa". É o que os mínimos e a carga do método produzem quando se força a mesma fórmula. O portátil real ainda expulsa ar do quarto pelo tubo único. Esse ar é substituído por ar de fora, mais quente, que o EER de ensaio não carrega como carga extra da divisão da Carla. A redação não inventa uma percentagem de penalização. Diz que a diferença de 128 kWh é um chão de comparação, e que o tubo único fica pior do que esse chão sem que saibamos quantos kWh a mais. Quem publicar "30 por cento" sem medição está a fazer o que esta página recusa.

Contas ilustrativas para 1,44 kW e 400 h. A segunda linha aplica EER como se fosse SEER, o que o regulamento não faz. Serve para ver a distância dos mínimos, não para a fatura.
HipóteseGrandezakWh nas 400 h
Split no limiar A++ da etiquetaSEER 6,10cerca de 94
Split no mínimo de ecodesignSEER 4,60cerca de 125
Conduta simples no mínimoEER 2,60 forçado na mesma fórmulacerca de 222

As horas são editáveis na calculadora. Se a Carla usar o quarto 200 h, os kWh caem para metade e a distância também. Se usar 800 h, dobram. O veredito qualitativo — o fixo, quando se pode instalar, fica à frente no chão regulamentar — não depende de a distância ser 128 ou 64. Depende de os mínimos serem os que o texto mostra. O IPMA não entra na conta: as normais não foram convertidas em horas [4]. 400 h é hipótese da redação, a mesma da calculadora, declarada como hipótese.

Quando o portátil é a resposta certa

O portátil ganha quando o fixo é impossível. A ata negativa, o senhorio que recusa o furo, o poço que a administração não deixa usar: nesses casos comparar kWh é comparar com uma obra que não existe. Zero kWh de um split que não se instala não arrefece o quarto. O portátil de conduta, com a janela preparada para o tubo e com a noção de que o EER é o ensaio pobre, é a ponte do verão. Não é o aparelho que "compensa a longo prazo". A longo prazo, se a ata aparecer, o fixo substitui-o. Comprar o portátil como solução de cinco anos num quarto que podia ter tido ata é que não compensa, e a conta dos 128 kWh por cada 400 h, mesmo incompleta, aponta o sentido.

Há um segundo caso em que o portátil ganha um mês e perde o ano: a obra do fixo marcada para setembro e o Julho no meio. Alugar ou comprar o portátil para seis semanas pode ser racional. Comprar um portátil grande "que depois fica de reserva" e desistir da ata é outra decisão, e o custo do aparelho reserva soma-se ao do fixo se a ata sair. O guia do custo não mete o portátil nas premissas de 1 960 EUR. São compras diferentes.

O ruído também não é simétrico. O split põe o compressor fora do quarto, se a fachada o permitir sem encostar ao vizinho. O portátil põe o compressor ao lado da cama. A etiqueta de cada um traz o seu decibel de ensaio. A redação não copia um valor típico de marca. A Carla lê as duas fichas e não conclui que o portátil é "mais simples" porque não tem exterior: tem o ruído todo no interior.

A lista da Carla antes de pagar

  1. Correr os 14 m² na calculadora e anotar o escalão do método, sem o tratar como o tamanho do portátil.
  2. Perguntar ao senhorio e, se a fracção for dela, à assembleia, se há ata possível. Sem isso, o fixo sai da lista.
  3. Se houver caminho para a ata, seguir o guia da fachada e só então comparar splits dentro do escalão, pelo SEER.
  4. Se não houver, escolher o portátil pelo EER e pelo ruído interior, e preparar a janela para o tubo sem partir a caixilharia do senhorio.
  5. Não somar os kWh ilustrativos a um preço de electricidade que a página não citou. A tarifa é a da factura.
  6. Se a situação mudar e a ata chegar, não "aproveitar" o portátil como se o EER fosse SEER. O fixo volta a ser o veredito.
  7. Não procurar nesta página um botão de loja. A edição de 6 de novembro de 2026 não tem ligação de parceiro.

O passo 7 é de política editorial, não de térmica. O veredito fica de pé sem comissão e sem botão. Quem vender um dos dois aparelhos à Carla fá-lo fora deste texto.

O veredito, numa frase que não é a introdução

Com autorização de fachada e sítio que não encoste a um quarto alheio, o fixo no escalão do método, lido pelo SEER, é o que compensa o verão e os verões seguintes. Sem autorização, o portátil de conduta é o que se pode ligar na semana que vem, e o preço dessa pressa é um ensaio mais pobre mais o ar do quarto que o tubo leva. A Carla, na Lapa, está no segundo caso enquanto o senhorio não mudar de ideias. Não há um terceiro aparelho, nesta página, que tenha o SEER do split e a liberdade do tubo. Quem o anunciar está a juntar dois regulamentos que o texto de 2012 separou.

Perguntas frequentes

O portátil de 12 000 BTU arrefece melhor do que o split de 7 000?

Não por essa frase. Os BTU de catálogo não atravessam o tipo de ensaio. O quarto da Carla, no método, anda nos 4 900 BTU/h e no escalão de 7 000 para um split. Um portátil anunciado com o dobro pode estar a declarar outra grandeza, noutro ponto de carga, e ainda perde ar pelo tubo. Maior no autocolante não é maior no quarto.

Posso usar o SEER para os dois?

O regulamento da etiqueta e o de ecodesign separam a conduta simples, que declara EER nominal, do split, que declara SEER. Aplicar a palavra SEER ao portátil de tubo único é que a ficha não sustenta, salvo se essa ficha, para esse modelo, trouxer mesmo um SEER calculado. A Carla lê o que está impresso. Não promove o EER a SEER para a conta ficar simpática.

O veredito muda se eu só ligar o aparelho à noite?

As horas mudam os kWh, não a ordem dos mínimos. Menos horas encolhem a distância ilustrativa de 128 kWh e podem tornar o portátil aceitável durante uma onda de calor curta. Não tornam o EER 2,60 num SEER 6,10. Se a ata for possível e o uso for todos os verões, o fixo mantém-se. Se o uso for duas semanas num arrendamento que acaba em agosto, o portátil deixa de ser uma derrota e passa a ser proporcional ao contrato.

A infiltração do tubo único tem um número?

Não nesta página. O mecanismo é físico: a conduta simples empurra para fora ar que estava no quarto, e esse ar é substituído por infiltração. O ensaio do EER não é a janela da Lapa. Inventar 20 ou 30 por cento seria um dado falso com aparência de medição. O veredito diz apenas que o portátil fica pior do que a já má comparação dos mínimos.

O certificado energético manda pôr split?

O SCE certifica a fracção. Não foi lido nenhum certificado da Lapa para esta edição, e o sítio do SCE não escolhe entre portátil e fixo. Um certificado pode falar da envolvente. Não substitui a ata nem o EER. Quem o tiver leva-o ao instalador como descrição do apartamento, não como ordem de compra.

Há uma loja recomendada no fim da página?

Não. O veredito é o fixo quando a fachada está autorizada e o portátil quando não está. A edição não traz ligação de parceiro, nem formulário de contacto para "receber orçamentos" neste texto. O contacto do sítio é outra página, para a redação, e não fecha a compra.

Como citar esta página

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Ferreira, B. (2026). Ar condicionado fixo vs portátil. Guia da Climatização. https://guiadaclimatizaotudooque.xyz/pillars/potencia-btu/fixo-vs-portatil/
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