6 de novembro de 2026 · Beatriz Ferreira
Quanto custa instalar ar condicionado
Quanto custa instalar ar condicionado não é um número de montra: é a soma de equipamento, linha frigorífica, circuito eléctrico, condensados, mão de obra e acesso à fachada, cada um com a sua linha. A 6 de novembro de 2026 esta redação não publica uma média de mercado. Publica o razoado da Inês, no T2 da Estrela, com premissas escritas, para que cada euro do orçamento real substitua uma linha e não um total opaco. O Regulamento (UE) n.º 206/2012, consultado nessa data, continua a ser o texto dos mínimos de eficiência [1]. O preço da obra não está lá. Quem cola um "desde" de loja em cima do regulamento está a misturar dois documentos que não falam da mesma coisa.
Pontos que mudam a encomenda
- O razoado da Inês, com premissas de 6 de novembro de 2026, soma 1 960 EUR sem acesso especial e 2 240 EUR com plataforma. Não é uma estatística.
- Cada metro de linha a mais e cada bomba de condensados são linhas próprias, não "incluidos".
- A ERSE publica a tarifa; o guia não inventa o preço do kWh [3].
- O Regulamento (UE) 2024/573 é o regime dos gases fluorados em que o técnico do circuito tem de caber [2].
- A DGEG é a porta portuguesa para esse controlo [4]. O número de um diploma nacional que esta página não abriu não é citado.
O que um total único esconde na proposta
Uma proposta de "instalação incluída" junta coisas que não se estragam pelo mesmo motivo. A máquina pode estar certa e a linha ter oito metros quando a sala está a quatro da fachada, porque o instalador deu a volta a uma viga. O quadro pode não ter espaço para um disjuntor dedicado e o orçamento só o diz depois de aberto o espelho. O condensado pode não ter queda até um ramal e passar a precisar de bomba. O acesso pode ser uma varanda ou um aluguer de plataforma. Somar isto num adjectivo é a razão pela qual dois orçamentos de "3,5 kW instalados" não são comparáveis.
| Linha | Premissa EUR | O que tem de estar escrito na proposta real |
|---|---|---|
| Equipamento | 950 | Modelo, SEER, carga de projeto e refrigerante |
| Linha, suportes e isolamento | 220 | Metros de tubo, não "até à fachada" |
| Circuito eléctrico dedicado | 260 | Ponto de partida no quadro e protecção |
| Condensados por gravidade | 110 | Destino do tubo e se há bomba |
| Mão de obra de um dia | 420 | Quem abre o circuito frigorífico |
| Total sem acesso especial | 1 960 | Soma das linhas, não um número redondo solto |
| Plataforma, se não houver varanda | 280 | Horas de aluguer e licença de ocupação, se existir |
| Total com plataforma | 2 240 | A Inês só soma esta linha se o instalador a confirmar |
A aritmética é deliberadamente simples: 950 + 220 + 260 + 110 + 420 = 1 960. Com a plataforma, 1 960 + 280 = 2 240. Se o orçamento da Inês vier com 1 700 EUR "tudo incluído" e sem metros de tubo, não está mais barato: está ilegível. Se vier com 2 600 EUR e as mesmas linhas, a diferença vê-se na linha, não num pressentimento. Esta tabela é o original da redação. Não foi tirada de um observatório de preços. Quem a citar tem de citar as premissas, não "o preço em Lisboa".

O que faz o total subir sem mudar a máquina
A máquina de 950 EUR da premissa pode manter-se e o total mudar por cinco mecanismos. O primeiro é o comprimento da linha. A premissa usa 4 m. A redação não publica um preço por metro como se fosse portagem oficial; pede que a proposta traga os metros. O segundo é a altura e o piso. Uma cobertura aquece mais — isso é carga, tratada no guia da potência — e também pode exigir fixação e acesso diferentes. O terceiro é o quadro. Um circuito dedicado não é um multiplicador de tomadas. Se o quadro está cheio, a linha eléctrica deixa de ser 260 EUR de premissa e passa a ser a obra que o electricista orçamentar, à parte. O quarto é o condensado. Gravidade até um ramal próximo é a premissa de 110 EUR. Bomba, porque o tubo teria de subir, é outra linha, e a bomba é um ponto de avaria que a ficha de SEER não menciona. O quinto é o acesso. Varanda própria: a linha da plataforma fica a zero. Fachada lisa sobre a rua: a linha existe, e pode haver ocupação de via que a redação não tabela porque a taxa municipal de Lisboa não foi lida num edital desta página. Dizer um valor camarário aqui seria inventar.
| Mecanismo | Sinal na proposta | Efeito no razoado |
|---|---|---|
| Linha mais longa do que 4 m | Metros escritos | A linha de 220 EUR deixa de servir |
| Quadro sem espaço | Visita ao quadro antes do sinal | A linha eléctrica deixa de ser a premissa |
| Condensado sem queda | "Bomba" escrita | Acrescenta equipamento e um ponto de falha |
| Fachada sem varanda | Plataforma ou andaime | Soma a premissa de 280 EUR ou o preço real |
| Furo em betão espesso | Carote à parte | Não está nas 1 960 EUR |
| Máquina antiga a retirar | Gás e sucata | Linha nova; o regime de gases aplica-se à retirada |
O Rui, num T1 arrendado em Arroios, recebeu um total de loja mais baixo do que o da Inês e não tinha ata. O número baixo não é uma oportunidade: é uma obra que pode ter de ser desfeita. O custo relevante para ele, enquanto a assembleia não deliberar, é zero de instalação fixa mais o custo de não ter arrefecimento, ou o de um portátil. Essa alternativa está no comparativo fixo e portátil. Meter o razoado de 1 960 EUR num prédio onde o furo é proibido é contabilizar uma obra ilegal como se fosse um desconto.
Eficiência, fluido e quem pode abrir o circuito
O mínimo de SEER do regulamento de ecodesign não põe euros na mão de obra. Põe um chão na máquina que pode ser vendida. Uma máquina barata que mal cumpre o chão pode ganhar na linha do equipamento e perder na fatura, mas essa perda só se calcula com horas e com a tarifa. A ERSE é a fonte do preço da electricidade em Portugal, consultada a 6 de novembro de 2026 [3]. Esta página deixa o campo do preço vazio na calculadora de propósito. Quem escrever "a 0,20 EUR o kWh" sem data e sem tarifa está a fabricar uma fatura. A Inês introduz o preço da sua factura no campo e vê euros ilustrativos. O guia não lhe diz qual é o preço certo do país numa tarde de novembro.
O circuito frigorífico é outra profissão. O Regulamento (UE) 2024/573, consultado a 6 de novembro de 2026, é o regime europeu dos gases fluorados com efeito de estufa [2]. A redação não transcreve aqui o artigo da certificação nem inventa o decreto português que o executa: não o abrimos linha a linha para esta edição. O que se exige na proposta é o nome de quem manuseia o fluido e a recusa de uma instalação "sem abrir circuito" quando a linha tem de ser ligada e carregada. A DGEG é o sítio onde essa pergunta portuguesa continua [4]. Se o instalador não souber apontar a habilitação, a linha de 420 EUR de mão de obra não está a comprar o serviço que o regime pressupõe.
Há um custo que a proposta esconde quando a máquina antiga sai. Recuperar o refrigerante não é despejar a botija. O mesmo regime de gases cobre essa retirada. Uma linha "remoção incluída" sem dizer o que acontece ao fluido é uma linha incompleta. A Inês, que não tem máquina antiga, não a soma. O Rui, se o senhorio deixar um monobloco na janela, tem de a ver escrita.
Como ler três orçamentos na mesma semana
A Inês pede três propostas com as seis linhas e com o escalão de 12 000 BTU/h que o guia de escolha e a calculadora já fixaram. Não pede "o que aconselham para a casa". A casa não é a divisão. Quem responde com 18 000 BTU/h para o apartamento inteiro está a recusar o método, e o preço dessa máquina maior não se compara com os 950 EUR de premissa.
- Entregar a cada instalador a área, o pé-direito, a orientação e o escalão, por escrito.
- Exigir metros de linha, destino dos condensados, ponto no quadro e nome de quem abre o circuito.
- Separar o acesso. Se dois orçamentos trazem plataforma e o terceiro não, o terceiro não viu a fachada.
- Recusar totais sem linhas, mesmo que fiquem abaixo de 1 960 EUR.
- Levar a proposta vencedora à ata, se a ata ainda não existir, antes de pagar sinal. O guia do condomínio diz que papel levar.
- Guardar o razoado e a proposta no mesmo sítio. A diferença linha a linha é o único "barato" que esta página reconhece.
O passo 4 é o que mais custa a cumprir, porque o total redondo é confortável. O passo 5 é o que evita pagar duas vezes: uma pela instalação e outra pela reposição da fachada se a assembleia mandar tirar a máquina. Não há, nestas premissas, uma verba de "risco de ata". Esse risco não se seguradora com 100 EUR. Ou a ata existe, ou a obra fixa não começa.
O que a fatura de Julho não herda deste razoado
Os 1 960 EUR não prevêem o Julho. O consumo ilustrativo sai da carga, do SEER e das horas equivalentes que a calculadora deixa editar, vezes o preço do kWh que a Inês lê na factura e que a ERSE enquadra. Confundir o custo de instalar com o custo de correr é o segundo modo de um anúncio "desde". Um aparelho no chão de SEER 4,60 e outro em SEER 6,10 não custam a mesma electricidade para a mesma carga e as mesmas horas. A conta é carga em kW a dividir pelo SEER, vezes as horas. Para 2,84 kW, SEER 6,10 e 400 h de hipótese da redação, o quociente é cerca de 186 kWh. Para SEER 4,60, nas mesmas hipóteses, sobe para cerca de 247 kWh. A diferença de 61 kWh só vira euros quando entra a tarifa. A redação mostra a diferença em kWh e pára. Não multiplica por um preço que não citou.
Esta aritmética também não inclui aquecimento. O SCOP existe na etiqueta para a estação de aquecimento e não entra no razoado de instalação. Quem for usar o aparelho no inverno lê o SCOP na mesma ficha e não pede a esta tabela de obras um número de euros de janeiro. São decisões encostadas, não a mesma célula.
O stat aponta o regulamento porque o 4,60 é o mínimo que esse texto publica para o caso descrito no guia de escolha, e o 6,10 é o limiar de A++ da etiqueta. A diferença de 61 kWh é nossa, das hipóteses, e morre se as horas mudarem. Por isso a calculadora expõe as horas em vez de as esconder num "consumo anual" de folheto.
O que a Inês faz com o papel
Na semana do orçamento a Inês não procura o total mais baixo. Procura a proposta em que cada linha do razoado tem um correspondente, em que o escalão é o de 12 000 BTU/h da sala e não o da casa inteira, e em que o nome de quem abre o circuito existe. Se a varanda serve, risca a plataforma. Se o quadro está cheio, deixa o electricista substituir os 260 EUR. O número que sair dessa substituição é o custo dela. O 1 960 EUR fica no caderno como estrutura, datado, e não como promessa de que Lisboa cobra isso. É essa a única forma honesta de responder a "quanto custa" sem inventar um observatório de preços que esta redação não fez.
Perguntas frequentes
Os 1 960 EUR são o preço em Lisboa em novembro de 2026?
Não. São a soma de cinco premissas da redação para o caso da Inês: máquina, 4 m de linha, circuito, condensados por gravidade e um dia de mão de obra. Não houve levantamento de orçamentos reais nem mediana. Um instalador pode ficar acima ou abaixo em cada linha. O uso correcto é obrigar a proposta a mostrar as linhas, não citar 1 960 EUR como tarifa.
Porque é que a página não diz o preço do kWh?
Porque a tarifa é a da ERSE e da factura, muda com o contrato e com a data, e um número solto ficaria falso na semana seguinte. A calculadora aceita o preço que a pessoa introduzir e só então mostra euros. Até lá mostra kWh. A diferença de 61 kWh entre SEER 6,10 e 4,60, nas hipóteses escritas, é o máximo que a redação assina sem tarifa.
A mão de obra de 420 EUR inclui o gás?
Na premissa, a mão de obra é o dia de quem instala, e o circuito frigorífico tem de ter um responsável nomeado. O valor não compra uma certificação imaginária nem substitui o Regulamento (UE) 2024/573. Se a proposta não disser quem manuseia o fluido, a linha está incompleta mesmo que o euro coincida com a premissa. A DGEG é o sítio indicado para a pergunta portuguesa, não um fórum.
Um orçamento mais baixo que o razoado é melhor?
Só se trouxer as mesmas linhas. Um total de 1 780 EUR sem metros de tubo, sem quadro e sem destino do condensado não ganha ao razoado: falta-lhe informação. O caso de controlo da Inês trata esse papel como incompleto. O barato legível, linha a linha, é que pode ganhar.
A remoção de um aparelho antigo entra nos 1 960 EUR?
Não. A Inês não tem aparelho a retirar, e a premissa não a inclui. Quem retira uma máquina antiga tem de ver essa linha e o destino do refrigerante. O regime dos gases fluorados não acaba na instalação nova. "Remoção incluída" sem dizer o que acontece ao fluido não fecha a linha.
O custo muda se o condomínio recusar a fachada?
Muda de natureza. A obra fixa deixa de ser uma opção, e o razoado de 1 960 EUR não se executa. O custo passa a ser o de não instalar, ou o de um portátil, tratado no comparativo próprio. Pagar o sinal antes da ata é pagar um risco que esta tabela não seguradora.