6 de novembro de 2026 · Beatriz Ferreira

Potência em BTU por divisão da casa

Potência em BTU por divisão da casa, no método desta redação publicado a 6 de novembro de 2026, parte de watts por metro quadrado conforme a divisão e a orientação, corrige pé-direito, vidro, envolvente, piso e pessoas, e só depois converte para BTU/h. Não é uma norma da ADENE nem um projecto. A calculadora aplica exactamente estas contas. O Hugo trabalha num escritório de 12 m² em Alcântara, virado a sul, e quer um número antes de chamar o instalador. O número serve para ler o escalão. Não serve para encomendar "a casa toda" num único aparelho, erro que o guia de escolha já recusou no T2 da Inês.

Pontos que mudam a encomenda

  • A tabela de W/m² é da redação, licenciada em CC BY 4.0 na página da calculadora, e não um valor oficial.
  • 1 W = 3,412142 BTU/h, com a BTU internacional de 1 055,05585262 J. O NIST SP 811 é a disciplina de unidades [1].
  • A etiqueta, no Regulamento (UE) n.º 626/2011, fala de carga de projecto do ensaio, não da sala do Hugo [2].
  • As normais do IPMA descrevem o clima; não são a temperatura de projecto de uma tarde, e esta página não copia um grau que não leu [3].
  • O manual da ADENE explica a etiqueta. Não dimensiona a divisão [4].

A fórmula, sem atalho único

A carga em watts é a área vezes o factor de base, vezes o factor de pé-direito, vezes o de vidro, vezes o de envolvente, vezes o de piso, mais 120 W por cada pessoa além da primeira. O factor de pé-direito é 1 se a altura não passa de 2,5 m; acima disso é a altura dividida por 2,5. Vidro pequeno multiplica por 0,92, médio por 1, grande por 1,15. Envolvente fraca, anterior a 1990 na linguagem do método, multiplica por 1,18; típica por 1; renovada por 0,88. Piso intermédio por 1, cobertura por 1,12, rés do chão por 1,04. Nada disto é uma medição do apartamento do Hugo. É uma grelha para não tratar 12 m² a sul como 12 m² a norte.

Factores de base em W/m². Método da redação, Lisboa, arrefecimento, 6 de novembro de 2026.
DivisãoNorteEsteSulOeste
Quarto8095110125
Sala90110125140
Escritório95115130145
Cozinha110125140155
Factores que multiplicam a base, e o que não multiplicam. O SEER fica de fora da carga.
FactorValores do métodoNão faz
Vidro0,92 / 1 / 1,15Não mede a área do vão em metros quadrados
Envolvente1,18 / 1 / 0,88Não substitui o certificado energético do SCE
Piso1 / 1,12 / 1,04Não é um coeficiente de transmissão
Pessoas+120 W além da primeiraNão conta equipamentos da cozinha um a um
Pé-direitoaltura/2,5 acima de 2,5 mNão altera a orientação

A conversão é watts vezes 3,412142. A origem aritmética é a BTU das tabelas internacionais, 1 055,05585262 J, e 3 600 J num watt-hora: 3 600 / 1 055,05585262 = 3,4121416, que a redação arredonda a 3,412142. O NIST SP 811, consultado a 6 de novembro de 2026, é o guia de unidades do SI que impede tratar "BTU" como uma palavra de catálogo sem ponte [1]. Quem preferir ficar em quilowatts pode parar antes da conversão. O escalão de loja, em Portugal, ainda se anuncia muitas vezes em BTU/h, e por isso a ponte existe.

As contas do Hugo e as da Inês

O escritório do Hugo tem 12 m², pé-direito 2,6 m, sul, vidro médio, envolvente renovada, piso intermédio, uma pessoa. Base 130 W/m². Área: 1 560 W. Pé-direito: 2,6 / 2,5 = 1,04, logo 1 622 W. Vidro médio não mexe. Renovada: vezes 0,88, logo 1 428 W. Piso intermédio não mexe. Pessoas: a primeira não soma. BTU/h: 1 428 vezes 3,412142, cerca de 4 870. O escalão seguinte é 7 000 BTU/h. Um folheto de 12 000 BTU/h para este escritório está dois escalões acima do método. Não é "mais fresco". É outra máquina.

A sala da Inês, já usada no guia de escolha, confirma a mesma régua noutro sítio: 18 m², oeste, 2,7 m, vidro médio, envolvente típica, piso intermédio, duas pessoas. Base 140. Área 2 520 W. Pé-direito 2,7 / 2,5 = 1,08, logo cerca de 2 722 W. Uma pessoa extra: mais 120 W, cerca de 2 842 W. BTU/h cerca de 9 700. Escalão 12 000. O quarto dela, 12 m² a norte, vidro pequeno, envolvente típica, 2,6 m, uma pessoa: 80 vezes 12 = 960; vezes 1,04 = 998; vezes 0,92 = 918 W; cerca de 3 130 BTU/h; escalão 7 000. Somar sala e quarto e comprar 18 000 BTU/h "para os dois" não é a soma dos escalões. É outra hipótese, a do multi-split, em que cada interior tem o seu escalão e a exterior cobre a simultaneidade que o fabricante declara.

Sala com a unidade interior alta na parede, chão de madeira e janela alta
A unidade interior corresponde a uma divisão. A área da casa não é a área que entra na fórmula.

As horas não entram nesta carga. Entram no kWh: quilowatts a dividir pelo SEER, vezes as horas equivalentes que a pessoa edita. A hipótese de 400 h na calculadora é da redação, para um verão de uso residencial, e não é uma normal do IPMA. O IPMA publica normais climáticas; a página das normais foi consultada a 6 de novembro de 2026 e não foi usada para extrair um grau, precisamente para não citar um número que não lemos [3]. A temperatura de projecto de uma tarde de poente é trabalho de quem calcula cargas. O nosso método não finge essa tarde. Finge uma grelha de W/m² e assume o erro.

O que a etiqueta e o clima não dimensionam

A carga de projecto da etiqueta, em kW, é a do ensaio do Regulamento (UE) n.º 626/2011, consultado a 6 de novembro de 2026 [2]. O manual da ADENE descreve esse campo e o SEER para o comprador português [4]. Nenhum dos dois diz que um escritório de 12 m² em Alcântara "leva" 2,5 kW. Se o Hugo comprar uma máquina cuja carga de projecto é 2,5 kW porque a etiqueta é legível, comprou a máquina do ensaio, não a do método. O escalão de 7 000 BTU/h fica perto de 2,1 kW nominais (7 000 / 3,412142 / 1 000). É essa a vizinhança em que ele compara fichas, não a de 3,5 kW.

O certificado energético do apartamento, no SCE, fala da fracção e da envolvente. Não escolhe o escalão do split. A redação não o usa como dado de entrada porque não leu um certificado da Inês nem do Hugo. Citar "o certificado manda 3,5 kW" sem o certificado à frente seria teatro. Quem o tiver mostra-o ao instalador como descrição da envolvente, e mesmo assim corre a divisão na calculadora.

A cozinha fica de fora dos dois casos de propósito. O factor de base é o mais alto da tabela, 110 a 155 W/m², e não inclui placa, forno nem frigorífico um a um. Se a cozinha for o sítio a climatizar, o método ainda dá uma ordem de grandeza e o instalador soma os equipamentos que vê. Publicar um watt por electrodoméstico sem medição seria outra tabela fictícia. Não está aqui.

A lista que o Hugo executa

  1. Medir a área útil do escritório e o pé-direito, sem incluir a varanda.
  2. Marcar sul, vidro médio, envolvente renovada, piso intermédio, uma pessoa.
  3. Correr a calculadora e anotar watts, BTU/h e escalão. O escalão é 7 000.
  4. Abrir duas fichas cujo tamanho nominal esteja nesse escalão e ler o SEER, não a carga da sala.
  5. Confirmar que a fachada ou a ata permitem a exterior. Sem isso o número não se instala. O condomínio vem antes do sinal.
  6. Pedir o orçamento para esse escalão, com linhas separadas, como no guia do custo.
  7. Se a carga passasse de 24 000 BTU/h, parar e pedir cálculo de cargas. Neste escritório não passa.

O passo 4 é onde o método entrega o problema à etiqueta. O passo 5 é onde entrega o problema ao código. O passo 7 é o limite de honestidade: a grelha não escala para um open space de 60 m² com fachada de vidro como se ainda fosse um escritório de Alcântara. Aí o factor único, mesmo o nosso, já não chega, e dizê-lo faz parte do método.

Porque a calculadora e este texto não podem divergir

Se a tabela desta página e a tabela da calculadora divergirem, uma das duas está errada. A 6 de novembro de 2026 são a mesma: os W/m², os factores e os escalões 7 000, 9 000, 12 000, 18 000 e 24 000. Uma alteração futura tem de mudar as duas no mesmo dia, como a metodologia do sítio exige. O Hugo que corra os 12 m² e obtenha outro escalão deve desconfiar da versão, não "arredondar para cima à mão" sem dizer qual o factor que mudou.

O kWh ilustrativo não é parte da escolha do escalão. Com cerca de 1,43 kW e um SEER de 6,10, a 400 h, a conta é 1,43 / 6,10 vezes 400, cerca de 94 kWh. Isso não empurra o Hugo para o escalão de 9 000. Empurra-o a ler a etiqueta dentro do escalão de 7 000. Meter mais máquina para "gastar menos" inverte a fórmula: a carga de ponta e o consumo sazonal não se compram com o mesmo botão.

O que fica de fora, de propósito

Fica de fora o aquecimento. O SCOP ordena a estação de aquecimento na etiqueta e a calculadora não o calcula. Fica de fora a humidade, que em Lisboa à beira do rio muda a sensação e não entra num W/m² de arrefecimento sensível. Fica de fora o ganho de um computador ligado oito horas: o método soma pessoas, não watts de equipamento, e no escritório do Hugo esse buraco existe. 120 W da segunda pessoa não estão lá porque ele trabalha sozinho. Um desktop antigo pode aproximar-se desse buraco. A redação não lhe atribui um número de placa. Se o instalador o medir, o método aceita o watt medido no lugar do zero. Não aceita um mito de "mais 30 por cento para escritório" em cima do factor que já distingue escritório de quarto.

Esta página também não diz que 7 000 BTU/h "chega sempre até 15 m²". O Hugo cabe nesse escalão por causa da envolvente renovada e de uma pessoa. Os mesmos 12 m² a oeste, vidro grande, envolvente fraca, cobertura, duas pessoas, saem da base 125, não de 130, e os factores empurram para cima. A frase "até X metros" é o atalho com outra máscara. A tabela existe para a frase não ser precisa.

Perguntas frequentes

Porque não usar só a área vezes 600 BTU?

Porque 600 BTU por metro quadrado é um atalho cego à orientação. 600 BTU/h são cerca de 176 W. A tabela vai de 80 a 155 W/m² antes dos outros factores. O atalho fica acima de quase todas as linhas de base e mesmo assim não distingue a sala a oeste da renovada a sul. O Hugo, com o atalho, encomendaria maior do que o escalão de 7 000. A Inês, na sala, poderia calhar perto ou ficar curta conforme o resto dos factores. Uma régua só não serve dois casos.

O pé-direito de 2,6 m justifica outra máquina?

No método, 2,6 / 2,5 = 1,04, ou seja quatro por cento. No escritório do Hugo isso está dentro do mesmo escalão. Não se compra o escalão seguinte por quatro por cento. Já 3,2 m de pé-direito, 3,2 / 2,5 = 1,28, pode mudar o escalão, e a calculadora mostra-o. O tecto alto não é um detalhe de fotografia. Entra na multiplicação.

A calculadora serve para aquecimento?

Não. Os factores são de arrefecimento. O SCOP da etiqueta responde a outra estação e a outro regulamento de classe, o mesmo 626/2011, com cortes diferentes dos do SEER. Quem quiser estimar calor repete o hábito de não usar esta grelha e lê a ficha. Somar "no inverno é o mesmo BTU" é falso neste método.

E se o resultado ficar entre dois escalões, compro o de baixo para poupar?

Não. A regra é o menor escalão que ainda cobre a carga. 4 870 BTU/h não tem escalão de 5 000 na lista. O seguinte é 7 000. Descer abaixo da carga é a sala que não arrefece na hora para a qual o método foi feito. O SEER mais alto não repõe os watts em falta.

O IPMA não tem a temperatura de Lisboa para eu fechar o cálculo?

Tem normais climáticas. Esta edição consultou a página das normais e não extraiu um valor, para não citar um grau de memória. A temperatura de uma tarde de projecto não é a normal de um mês. O método não precisa desse grau porque não é um balanço hora a hora. Quem fizer o balanço usa os dados do IPMA no projecto, não esta grelha.

Dois escritórios iguais podem dar escalões diferentes?

Podem, se a orientação, o vidro, a envolvente ou o piso diferirem. "Igual" na área não é igual na tabela. 12 m² a norte num quarto renovado e 12 m² a oeste num escritório de cobertura não partilham a linha. Por isso a calculadora pergunta a orientação em vez de perguntar só os metros. É a pergunta que o atalho evita, e é a pergunta que muda a encomenda.

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Ferreira, B. (2026). Potência em BTU por divisão da casa. Guia da Climatização. https://guiadaclimatizaotudooque.xyz/pillars/potencia-btu/calcular-potencia-btu-por-divisao/
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